Mercado de cachaça de alambique passa longe da crise e estima crescimento de 7% no ano

16 de junho de 2017

A crise econômica que afeta boa parte dos setores produtivos do país passa longe da produção de cachaça artesanal de alambique. Na contramão da contenção de despesas, a expectativa do setor para 2017 é crescer em 7% a produção da bebida e engarrafar 1,4 bilhão de litros de cachaça, mirando tanto o mercado interno quanto o externo.

Com 40 mil produtores de cachaça artesanal espalhados pelo país, representantes do setor estimam um volume de R$ 6 bilhões em negócios somente este ano. Vista tempos atrás como uma bebida sem sofisticação, a cachaça passa por um momento diferente. É o que explica o Presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cachaça, José Otávio Lopes.

‘Com o passar do tempo a cachaça vem evoluindo e o gosto do brasileiro também vem evoluindo, então hoje nós estamos atingido camadas mais altas da população, com poder aquisitivo mais alto, e inclusive com a exportação para outros países, onde ela já é apreciada’, acredita.

José Lopes afirma que há um entrave para um crescimento ainda maior: a alta carga de impostos sobre o produto, que chega a mais de 80% na taxação de PIS, Cofins, ICMS e IPI, entre outros.

Uma das estratégias para driblar o momento ruim na economia brasileira é o investimento em qualidade do produto, mesmo que seja necessário um gasto maior por parte dos produtores. Henrique Tenório, que produz cachaça em Alagoas conta que está ganhando cada vez mais clientes trocando experiências.

‘A experiência que a gente vem pegando com outros produtores que são parceiros de outras associações, que a gente não considera como concorrente. Aí a gente vai pegando essa experiência, vai lançando um produto aqui, outro ali e todo ano trazendo uma novidade. O mercado de cachaça ele tá crescendo bastante’, diz.

A diversificação de produtos nas prateleiras tem levado muita gente a experimentar a cachaça pela primeira vez. E até nichos pouco imaginados de mercado começam a dar lucros a quem investe na bebida. O Brasil deve ganhar este mês a Primeira Confraria Feminina da Cachaça, no interior de Minas Gerais. Uma das idealizadoras é Rosana Romano, que é dona de um alambique.

‘Então nós fizemos um comitê de quatro, essas quatro começaram a chamar as amigas, e a gente então vai fazer a fundação de uma Confraria Femina da Cachaça’, celebra.

A melhora na qualidade do produto e a abertura maciça para a exportação tem rendido bons resultados para Minas Gerais. Dois tipos da bebida, produzidos na cidade de Pitangui, a pouco mais de 120 quilômetros de Belo Horizonte, conquistaram as medalhas de Ouro e Prata no Concurso Mundial de Bruxelas, que reuniu marcas de dezenas de países, em abril deste ano.

Para o presidente do Centro Brasileiro de Referência da Cachaça, José Lúcio Mendes, o setor artesanal de alambique soube acompanhar a transformação que favoreceu as bebidas industrializadas.

‘O cenário mudou muito, mudou muito sob o ponto de vista de tecnologia, de cultura, negócios, embalagens, rótulos, hoje as cachaças nossas estão ganhando os principais prêmios internacionais. Isso mostra que a gente não deve nada a nenhum produto que está no mercado internacional’, opina.

Os resultados obtidos com uma maior qualificação da cachaça estão motivando uma corrida de outros produtores em busca de uma bebida que atraia o mercado externo. Com isso, o Centro de Referência começou a utilizar uma carreta, equipada com alambique, laboratório e sala de aula para percorrer cidades do interior do Brasil. A ideia é capacitar pequenos produtores para que eles também criem um produto melhor.

Fonte: Léo Mendes/CBN

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